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Nasa lança telescópio espacial Roman para aprofundar pesquisas sobre expansão do universo

A Nasa iniciou uma nova missão para investigar alguns dos maiores enigmas da astrofísica e da cosmologia com o lançamento…

A Nasa iniciou uma nova missão para investigar alguns dos maiores enigmas da astrofísica e da cosmologia com o lançamento do seu novo observatório astronômico emblemático da agência espacial americana, um satélite espião reaproveitado que captará vistas panorâmicas do cosmos.
O telescópio espacial Nancy Grace Roman, um projeto de cerca de US$ 4 bilhões, foi lançado do Centro Espacial Kennedy da Nasa, em Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX, cortando o céu logo após o amanhecer deste domingo (30).
Sua missão está planejada para durar cinco anos, embora a Nasa tenha informado que o telescópio pode ter combustível suficiente para mais cinco anos adicionais.
O observatório, que se posicionará em uma órbita além da Lua, foi projetado para investigar enigmas cósmicos como a energia escura e a matéria escura, além de testar a gravidade em vastas escalas e buscar exoplanetas, como são chamados os planetas situados fora do nosso sistema solar.
O lançamento marcou “um ponto final para os engenheiros, mas é um ponto de partida para os cientistas”, declarou Julie McEnery, cientista sênior do projeto do telescópio Roman, a jornalistas em uma entrevista coletiva após o lançamento. “Parece que estou na beira de um precipício, e estamos prestes a dar um passo em direção ao desconhecido.”
O observatório foi originalmente projetado para um programa de satélites espiões sob tutela do Escritório Nacional de Reconhecimento, parte da comunidade de inteligência dos Estados Unidos que gerencia os satélites espiões americanos mais potentes. Esse programa estourou o orçamento e foi cancelado, fazendo com que o escritório o doasse em 2012 para a Nasa, que o reaproveitou para a exploração espacial.
O Roman viajará pelo espaço em direção a um local orbital chamado Ponto de Lagrange 2, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra.
Os cientistas da missão passarão os próximos 90 dias posicionando o equipamento e se preparando para suas operações científicas. A expectativa é que o Roman envie suas primeiras imagens de alta resolução “antes das festas de fim de ano”, afirmou Jackie Townsend, gerente do projeto do telescópio.
‘Um nome famoso’
O Roman ampliará as capacidades de outros observatórios em órbita, como o telescópio espacial James Webb, lançado em 2021, e o telescópio espacial Hubble, lançado em 1990.
“Não tenho dúvida de que o Roman se tornará um nome famoso ao lado desses grandes instrumentos de descoberta”, disse o administrador da Nasa, Jared Isaacman, a repórteres.
McEnery destacou que o Roman possui essencialmente a mesma sensibilidade e nitidez de visão do Hubble, mas pesquisará o cosmos com muito mais rapidez. O Roman consegue mapear toda a nossa galáxia, a Via Láctea, em um mês, ao passo que o Hubble precisaria de um século, segundo a cientista.
Durante a coletiva de imprensa de domingo, Isaacman atendeu a uma ligação do presidente dos EUA, Donald Trump, e colocou o viva-voz próximo ao microfone. Trump afirmou que o lançamento “pareceu lindo na televisão”.
“Vocês estão fazendo um trabalho fantástico, e eu estou fornecendo todo esse dinheiro”, declarou Trump, referindo-se ao orçamento de aproximadamente US$ 24 bilhões da Nasa para 2026, que resistiu a uma proposta anterior da Casa Branca de cortar o financiamento da agência em cerca de US$ 6 bilhões.
O governo Trump tentou, tanto em seu primeiro quanto em seu segundo mandato como presidente, cancelar o Roman ou reduzir seu financiamento, mas o Congresso o preservou. Seu lançamento ocorreu com nove meses de antecedência em relação ao cronograma, de acordo com a Nasa.
‘Sensibilidade requintada’
O telescópio Webb proporcionou uma nova compreensão da história primordial do universo, descobrindo, entre outras coisas, que as galáxias primitivas se formaram mais cedo e eram maiores do que se sabia anteriormente. O Webb consegue olhar através de vastas distâncias e voltar no tempo profundo, devido ao tempo que a luz leva para viajar.
Em contrapartida, o Roman é capaz de capturar vistas panorâmicas. A Nasa compara o Roman à lente grande angular de uma câmera, enquanto o Webb funciona como uma lente zoom.
“O Webb foi projetado para conseguir sondar o universo de forma muito profunda e com uma sensibilidade requintada, para que possamos encontrar coisas raras no universo primitivo”, explicou McEnery em uma apresentação anterior, acrescentando que o Roman oferece “a visão ampla que complementa as visões profundas fornecidas pelo Webb”.
O Roman ajudará a compreender dois componentes cósmicos misteriosos, a energia escura e a matéria escura, criando o mapa tridimensional mais abrangente do universo até o momento. Sua principal pesquisa, que levará mais de um ano para ser concluída, cobrirá mais de dois bilhões de galáxias.
O evento do Big Bang, ocorrido há cerca de 13,8 bilhões de anos, deu origem ao universo, que vem se expandindo desde então. Essa expansão está acelerando, sendo uma força invisível chamada energia escura a razão hipotética para isso.
O conteúdo do universo inclui matéria ordinária, estrelas, planetas, gás, poeira e todas as coisas familiares na Terra, além de matéria escura e energia escura. A matéria ordinária representa talvez 5% do conteúdo. A matéria escura, conhecida por suas influências gravitacionais sobre galáxias e estrelas, pode representar cerca de 27%. Já a energia escura pode responder por cerca de 68%.
Usar o Roman para mensurar a atração da matéria escura e o empuxo da energia escura por todo o universo colocará os cientistas mais perto do que nunca de solucionar ambos os mistérios, segundo a Nasa.
O Roman também conduzirá uma das buscas mais abrangentes já feitas por exoplanetas. A expectativa é que ele descubra milhares de novos mundos e forneça o primeiro censo estatístico de sistemas planetários semelhantes ao nosso.

Fonte: Valor Empresas

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Larissa Monteiro

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