AGRONEGÓCIO

Corte na Selic traz alívio pequeno ao endividado setor do agronegócio, diz Zera

O que o novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, decidido na quarta-feira pelo BC, representa para o custo…

O que o novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, decidido na quarta-feira pelo BC, representa para o custo do crédito do agronegócio brasileiro? Muito pouco alívio, na opinião de Amanda Coura, fundadora da consultoria Zera.

“Na prática, o alívio proporcionado pela decisão é pequeno diante do estoque de dívida das empresas do setor. Numa dívida de R$ 100 milhões indexada ao CDI, a redução de 0,25 ponto diminui o custo financeiro em cerca de R$ 250 mil por ano, equivalente a uma queda de aproximadamente 1,8% na despesa anual com juros considerando apenas a taxa-base”, explicou Amanda Coura em nota.

Assim, como parte relevante das captações soma spread ao CDI, o impacto proporcional sobre o custo total da operação tende a ser ainda menor, disse a especialista.

Ela destaca ainda que a curva futura de juros segue precificando taxas altas para os próximos anos, refletindo incertezas econômicas e, sobretudo, a falta de sinais mais consistentes de compromisso fiscal e estabilização da dívida pública.

O maior desafio, na avaliação de Coura, está no efeito acumulado de um período extenso de custo elevado do dinheiro sobre o mercado de crédito como um todo. “Empresas e produtores vêm renovando dívidas antigas a taxas sucessivamente mais altas, o que amplia as despesas financeiras e consome parcela crescente da geração de caixa. Combinado a uma atividade econômica mais fraca e a receitas com menor fôlego de expansão, esse quadro pressiona margens, liquidez e capacidade de pagamento das empresas endividadas.”

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A fundadora da Zera lembra que, no agronegócio, a dinâmica se repete com intensidade adicional. Setor intensivo em capital, com ciclos longos de produção e naturalmente exposto a oscilações de preços agrícolas, produtividade e clima, o agro tende a sentir de forma mais aguda a combinação entre um ciclo de mercado adverso e despesas financeiras elevadas. “A gestão de riscos, o planejamento dos vencimentos e a manutenção de uma posição robusta de caixa tornam-se indispensáveis”, resume Coura.

Assim, o corte de 0,25 ponto oferece, segundo ela, um respiro marginal, mas o custo do crédito no agronegócio brasileiro segue distante de um patamar confortável.

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Larissa Monteiro

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