NEGÓCIOS
Avaliação de baterias em leilão de capacidade ou de transmissão será separada, diz Engie
A diretoria da Engie Brasil Energia avalia que a inclusão de baterias em um dos lotes do leilão de transmissão…

A diretoria da Engie Brasil Energia avalia que a inclusão de baterias em um dos lotes do leilão de transmissão de energia previsto para o primeiro semestre do próximo ano não se mistura com a avaliação de participação e debate a respeito do leilão exclusivo para contratação da tecnologia marcado pelo governo para dezembro deste ano. “São separados. O leilão de bateria que está previsto em transmissão é muito pequeno e visa endereçar um problema específico”, afirmou o diretor de energias renováveis e armazenamento da companhia, Guilherme Ferrari, em referência ao lote proposto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o Acre. A declaração foi feita em evento com jornalistas promovido pela companhia na manhã desta quinta-feira (17), em São Paulo. A empresa está interessada no leilão de baterias, que será contratado para ofertar sua disponibilidade ao sistema em montante de horas maior e para acionamento pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), mas tem questionado a forma como tal contratação será remunerada, já que uma lei aprovada no ano passado exige que este certame seja pago pelos geradores de energia. A forma como este pagamento será feito está em debate na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O diretor de regulação e estratégia da companhia, Gabriel Mann, afirmou que a empresa defende o pagamento do encargo que financiará a contratação de baterias pelos consumidores para que haja isonomia entre o outro leilão, realizado com a mesma finalidade de dar flexibilidade ao sistema nos horários de maior consumo de energia, que contratou, em março deste ano, termelétricas e hidrelétricas para este fim. O executivo admitiu que o rateio entre geradores e consumidores é uma possibilidade, mas reafirmou que o repasse deste custo pelos consumidores é a defesa da companhia e citou ainda que algumas associações representativas de segmentos do setor elétrico avaliam a judicialização do certame marcado para o fim do ano diante do impasse quanto a seu custeio. Renovação Ferrari afirmou que a antecipação da discussão sobre a renovação das concessões de geração de energia é benéfica para o sistema porque evita que os atuais concessionários reduzam ações de manutenção diante da iminência de um eventual repasse do ativo. A discussão ganha força diante da proximidade do fim da concessão de parte do portfólio hidrelétrico da companhia. A usina Salto Santiago tem contrato até 2030 e a Salto Osório, até 2031. Há um debate quanto a um eventual novo processo de licitação para assunção dos ativos por outros geradores. A empresa afirmou que já sofreu com esse problema quando assumiu hidrelétricas de outras companhias no passado. O diretor-presidente da companhia, Eduardo Sattamini, destacou que essa situação pode ser ainda mais preocupante num momento em que as hidrelétricas têm contribuído para ofertar flexibilidade ao sistema no pico de consumo, quando as renováveis intermitentes como a solar deixam de ofertar. Ainda na frente de hidrelétricas, ele afirmou que estas seguem o foco da companhia em se tratando de fusões e aquisições (M&As, na sigla em inglês), mas apontou que a oferta é menor. As usinas eólicas também estão sendo olhadas, mas aquelas com maior geração no período noturno, mas há dificuldade em acordar o valor do ativo no contexto dos cortes de geração renovável por razões sistêmicas (“curtailment”). Já as solares centralizadas, neste momento, não são prioridade. O “curtailment”, inclusive, segue como foco de atuação regulatória da companhia, que tem 7% do parque eólico e solar centralizado do país. A associação de energia eólica, a Abeeólica, calcula que o ressarcimento aprovado entre 2023 e 2025, e que está sendo calculado pelas instituições do setor, soma cerca de R$ 3 bilhões. Diretor de energias renováveis e armazenamento da companhia, Guilherme Ferrari Divulgação/Engie
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