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Premiê do Japão planeja reforma ministerial em setembro para consolidar base de poder

Crescem as especulações de que a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, realizará sua primeira reforma ministerial na segunda quinzena de…

Crescem as especulações de que a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, realizará sua primeira reforma ministerial na segunda quinzena de setembro, em um esforço para fortalecer sua base de apoio dentro e fora do Partido Liberal Democrata (PLD), a legenda governista. Entre as principais questões que Takaichi avalia estão a manutenção ou não do secretário-geral do PLD, Shunichi Suzuki, e a possível substituição de membros do gabinete encarregados de promover sua política fiscal expansionista. A primeira-ministra também planeja convidar um membro do Partido da Inovação do Japão (JIP), parceiro de coalizão, para integrar o gabinete. “Por favor, indique o cargo de sua preferência e envie sua resposta”, dizia um comunicado distribuído na quinta-feira aos membros da Câmara Baixa do PLD, em nome do secretário-geral do partido. O documento ressaltava que isso “não garante a nomeação”, mas oferecia aos parlamentares a oportunidade de listar até cinco cargos pretendidos. Uma autoridade governamental de alto escalão afirmou que a reforma, que também incluirá mudanças na liderança do PLD, deve ocorrer entre meados e o final de setembro, antes ou depois da visita de Takaichi a Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas. Inicialmente, especulava-se que a reforma aconteceria durante o feriado de Obon, em meados de agosto, mas o governo priorizou a reconstrução e a recuperação após o terremoto na província de Kumamoto. A partir do final de agosto, o governo começará a elaborar um pacote de redução do imposto sobre consumo — que deve ser o tema central da sessão parlamentar de outono — e a definir diretrizes para reformas tributárias. Em setembro, as atenções se voltarão para a eleição para governador de Okinawa, uma disputa crucial para a coalizão governista. “Mesmo que ocorra mais cedo, a reforma deve acontecer após a eleição para governador”, disse um membro da liderança do PLD, uma opinião que vem ganhando força dentro do partido. Takaichi já está elaborando discretamente planos para as nomeações. Durante o feriado de Obon, neste mês, ela teria entrado em contato com parlamentares que apoiaram sua política de corte de impostos em reuniões partidárias, agradecendo-lhes e informando que a legislação seria preparada com todo o cuidado. Alguns governos anteriores, como o formado pelo então primeiro-ministro Shinzo Abe em 2012, chegaram a passar um ano e oito meses sem realizar uma reforma ministerial. No caso de Takaichi, os índices de aprovação permanecem relativamente altos, reduzindo a necessidade de mudanças na equipe ministerial visando aumentar o apoio público. Em vez disso, a decisão de antecipar a reforma ministerial decorre da necessidade de incluir membros do JIP no gabinete. Uma coalizão sem o compartilhamento de cargos no gabinete deixa o governo em uma posição menos estável. O JIP espera garantir cargos como o de ministro responsável pela iniciativa de uma capital secundária ou o de ministro de Assuntos Internos, responsável pela política de governos locais. Uma das maiores questões dentro do LDP é o destino de Suzuki. Ele é membro da facção Aso — a única facção remanescente do partido — e cunhado do vice-presidente do LDP, Taro Aso. Para Takaichi, que ainda possui uma base política frágil dentro do LDP, o apoio da facção Aso é fundamental. Persistem as especulações sobre Suzuki. Alguns apontam para um distanciamento entre ele e Takaichi após ela ter dissolvido a Câmara Baixa em janeiro sem consulta prévia. Caso Suzuki seja substituído, Koichi Hagiuda — secretário-geral executivo interino e aliado próximo de Takaichi — é cotado como um possível sucessor. Hagiuda tem atuado na coordenação de políticas com o JIP e nas negociações de coalizão com o Partido Democrático pelo Povo. No entanto, há receio de que a promoção de Hagiuda reacenda o escrutínio sobre um antigo escândalo de financiamento político. As atenções também se voltam para o futuro da ministra das Finanças, Satsuki Katayama, e do ministro de Política Econômica e Fiscal, Minoru Kiuchi. Com a alta das taxas de juros de longo prazo, as decisões sobre a permanência de ambos provavelmente serão interpretadas como sinais aos mercados. Os titulares desses cargos também serão responsáveis pela legislação relacionada ao corte planejado no imposto sobre consumo, a ser discutido na sessão parlamentar de outono. Katayama reuniu-se com Takaichi mais vezes do que qualquer outro ministro desde a posse do atual gabinete. Em julho, ela trabalhou com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, para realizar uma intervenção coordenada nos mercados de câmbio. Embora o cargo de ministro das Finanças tenha sido frequentemente ocupado por figuras de peso do partido, a capacidade de executar políticas será essencial para dialogar com os mercados e entregar resultados sob a “política fiscal proativa e responsável” de Takaichi. Durante a elaboração do orçamento no final deste ano, o governo também precisará garantir recursos tanto para o corte do imposto sobre consumo quanto para o aumento dos gastos com defesa. Kiuchi desempenhou um papel central na elaboração da principal estratégia de crescimento do governo, que prevê mais de 370 trilhões de ienes (US$ 2,3 trilhões) em investimentos públicos e privados até o ano fiscal de 2040. Ele adotou uma postura cautelosa em relação a novos aumentos das taxas de juros pelo Banco do Japão, alinhando-se, em linhas gerais, à visão econômica de Takaichi. Atualmente, todos os outros que disputaram a eleição para a liderança do partido em 2025 — Shinjiro Koizumi, Yoshimasa Hayashi, Takayuki Kobayashi e Toshimitsu Motegi — ocupam cargos na cúpula do partido ou no gabinete. Aliados de Hayashi argumentam que ele não deveria assumir nenhum cargo, tendo em vista a disputa pela liderança no próximo ano. Hayashi tem se reunido frequentemente com o ex-primeiro-ministro Shigeru Ishiba, que tem mantido distância do governo Takaichi. Se Takaichi remover Hayashi do gabinete, diminuem as chances de ela concorrer sem oposição na próxima eleição para a liderança. Koizumi e Kobayashi também são vistos como potenciais líderes para o período pós-Takaichi. Ao nomeá-los para cargos importantes, Takaichi poderia limitar sua margem de manobra na próxima disputa pela liderança.

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Gustavo Azevedo

Gustavo Azevedo

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