ECONOMIA

Mapa de Risco: Como o descontrole das contas públicas chega aos juros que você paga

O desequilíbrio das contas públicas parece uma discussão distante da rotina das famílias, mas o efeito aparece de forma direta…

O desequilíbrio das contas públicas parece uma discussão distante da rotina das famílias, mas o efeito aparece de forma direta no crédito. Quando o governo precisa tomar mais dinheiro emprestado para financiar suas despesas, ele disputa recursos com empresas e consumidores e ajuda a pressionar as taxas cobradas na economia.

A explicação foi feita por Tiago Sbardelotto, economista da XP, durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.

Segundo ele, a lógica é semelhante à de um orçamento doméstico. Se as despesas permanecem acima das receitas por muito tempo, a dívida cresce. A diferença é que, no caso do governo, o tamanho dessa necessidade de financiamento afeta todo o mercado.

“Como esse cara é muito grande, falando do governo aqui, que trabalha ali com trilhões por ano, significa que ele está sugando a liquidez desse mercado, que ele está pegando muito recurso para ele e está deixando menos recurso para ser emprestado para o restante da economia”, afirmou.

Com menos dinheiro disponível para financiar empresas e famílias, o custo dos empréstimos tende a aumentar. É por isso que, segundo Sbardelotto, o equilíbrio fiscal tem um efeito que vai além das contas do Tesouro.

“Então a gente tem um benefício indireto do controle das contas públicas, que é justamente essa taxa de juros menor”, disse.

Dívida também limita o Banco Central

O avanço da dívida pública também influencia a chamada taxa de juros neutra — aquela compatível com uma inflação estável e uma economia funcionando próxima de seu potencial.

Quanto maior o risco associado às contas públicas, menor tende a ser o espaço para o Banco Central promover cortes mais profundos na taxa básica sem pressionar a inflação.

O efeito também pode ocorrer pela demanda. Se o governo amplia despesas enquanto a economia já opera perto de sua capacidade, injeta mais recursos em circulação sem que a oferta de bens e serviços cresça na mesma velocidade.

Nesse cenário, a pressão sobre os preços aumenta e o Banco Central pode ser obrigado a manter os juros elevados por mais tempo.

Para Sbardelotto, esse é o elo que conecta uma discussão aparentemente abstrata sobre déficit e dívida às condições de financiamento enfrentadas por consumidores e empresas.

Um governo que precisa captar cada vez mais recursos tende a deixar menos dinheiro disponível para o setor privado. E, no fim dessa cadeia, a conta pode aparecer no financiamento da casa, do carro, no crédito empresarial e nos juros pagos pelas famílias.

O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.

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Perguntas frequentes

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Larissa Monteiro

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