INTERNACIONAL

Lula chama governadora do DF de cínica e diz que governo não dará dinheiro ao BRB

A menos de 20 dias das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez ato de campanha no…

A menos de 20 dias das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez ato de campanha no Distrito Federal e tentou descolar seu governo ao escândalo do Banco Master, reforçando críticas à atual governadora Celina Leão (PP). Segundo ele, o Executivo federal “não vai dar dinheiro” para resgatar o Banco de Brasília (BRB). Sem grandes propostas para um eventual novo mandato, contudo, Lula se restringiu a falar que “a carne está cara” e que “não está satisfeito com o salário mínimo”. “Nós não vamos deixar o povo sem dinheiro, mas não vamos dar dinheiro para o BRB”, afirmou o presidente na noite desta quarta-feira, em comício em Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal. “A governadora, de forma cínica e mentirosa, quer jogar a responsabilidade no governador federal. Quem quebrou [o banco] foi a ligação do Ibaneis [Rocha, ex-governador] e o [ex-banqueiro do Master Daniel] Vorcaro.” “O BRB comprou títulos que não existiam. E agora estão dizendo para mim: ‘Ai, presidente o senhor não tem dinheiro, não vai pagar o Bolsa-Família’. Nós não vamos deixar de pagar o Bolsa-Família, mas não vamos dar dinheiro pro BRB”, complementou. Pouco depois da fala de Lula, a governadora do Distrito Federal foi à rede social X (antigo Twitter) acusar Lula de querer “quebrar o BRB”. Initial plugin text Outros temas De olho em temas que dialogam mais com o eleitor, o presidente também falou em salário mínimo e renda familiar, mas evitou, novamente, apresentar medidas que fará em uma nova gestão, caso reeleito. “Eu não estou contente com salário mínimo do jeito que está, tem que ter mais aumento”, afirmou. Na fala, ele voltou a criticar que pessoas que ponderam sobre o gasto a benefícios sociais em suas gestões. Na tentativa de falar sobre temas atuais, Lula também lamentou o preço dos alimentos. “Eu sei que a coisa ali tá tão cara, mas é importante a gente não esquecer que no governo deles a inflação de alimento chegou a 30,6% e no norte só chegou a 30%, quatro vezes menos que ele”, ponderou, reforçando as críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nos bastidores, há uma pressão para que Lula faça acenos a este tema, já que como a economia tem sido sentida pela população tem sido uma das maiores preocupações da campanha atualmente. “Eu sei que a gente precisa baixar o alimento, eu sei que a gente precisa baixar a carne, por isso a gente tem que produzir mais”, falou. Apesar de citar esses assuntos atuais, o presidente usou parte de sua fala para renovar seu discurso de soberania e críticas à família Bolsonaro pela proximidade com seu par americano, Donald Trump. Ele citou Eduardo Bolsonaro (PL) e o classificou como “vira-lata”. Segundo Lula, não dá para “de dia mostrar a bandeira nacional, e de noite ficar de quatro para os Estados Unidos com a bandeira americana”. Ele comentou que, no domingo (20), deve viajar ao país para participar da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e disse que quer falar com Trump sobre as eleições brasileiras. “Vou ter um bate-papo para Trump para pedir para que ele não se intrometa nas eleições”, disse. Nesta campanha, Lula tem optado por um palanque mais limpo, apenas com representantes da chapa que vai concorrer no respectivo Estado e lideranças locais. No Distrito Federal, participaram o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT), candidato ao governo, a senadora Leila Barros (PDT-DF), que busca a reeleição, e a deputada Erika Kokay (PT-DF), que busca a eleição pelo Senado. Contudo, mesmo Brasília sendo a sede do Executivo federal, nenhum ministro participou da agenda em Ceilândia. Tanto o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), candidato à reeleição na chapa, quanto outros aliados estavam ausentes. Como tem acontecido nos atos de Lula, a primeira-dama Janja da Silva teve papel de destaque e também falou, pedindo voto feminino. “Nós elegemos o Lula em 2022, e nós vamos trazer o tetra”, clamou, em discurso lido. Ela fez uma fala dura contra a família Bolsonaro. “Não pode voltar ao poder quem normaliza a violência”, disse pedindo que “não votem em ninguém com este sobrenome”, incluindo “uma Bolsonara de Ceilândia”, em referência à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), candidata ao Senado. Antes de Lula falar, Janja cantou o jingle “Tapete Vermelho” com o pastor e estrela gospel Kleber Lucas. Na última eleição, ela também cantava nos comícios –“Sem Medo de Ser Feliz”, jingle reciclado da campanha de 1989–, mas não discursava.

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Mariana Duarte

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