ECONOMIA

De direita ou esquerda? Veja como partidos políticos se definem no Brasil em 2026

O Brasil conta com 30 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Perguntados pelo Valor sobre seus posicionamentos no…

O Brasil conta com 30 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Perguntados pelo Valor sobre seus posicionamentos no espectro ideológico, 8 das 30 legendas se declararam como centristas, 8 como esquerda, 4 como centro-direita, 3 como centro-esquerda e 3 como direita. Outros 3 partidos se definiram como “independentes”. O “Partido Renovador Trabalhista Brasileiro PRTB”, que em 2024 respondeu a uma reportagem do Valor se definindo como um partido de direita, agora se entitula como “brasileiro”. Já o Podemos afirma que é o “partido das causas que melhoram a vida”. Por fim, o Democracia Cristã (DC), se classifica como um partido da “Visão Independente”. Veja na tabela a seguir o posicionamento de todos os partidos políticos do Brasil: Como os partidos brasileiros se definem em 2026 Centrão A maioria dos partidos brasileiros se determinam como centristas ou categorias semelhantes. Os especialistas apontam que essa é uma linha mais pragmática da política, sem compromisso automático com uma agenda mais à esquerda ou à direita. Além de facilitar o relacionamento com outros partidos, se manter neutro também é um ponto facilitador do ponto de vista eleitoral, afirma Rodrigo Prando, professor de ciência política na Universidade Presbiteriana Mackenzie. “É uma posição estratégica. Maximiza os ganhos eleitorais ao mesmo tempo em que minimiza os riscos de rejeição. O eleitor normalmente não vai ler o programa do partido, então estar ao centro é um sinal de baixo custo, passa a ideia de moderação, flexibilidade, pragmatismo. Na literatura da ciência política esses são os Catch-all Party, eles focam mais na barganha do que na disputa de um projeto nacional”, explica. Para Eduardo Galvão, especialista em Relações Governamentais e professor do Ibmec Brasília, essa maioria é outra característica que vem de um incentivo do nosso sistema. Ele conta que o projeto do centro não é a Presidência, e sim o Congresso. “Esses partidos vão compor o governo independentemente de quem estiver ocupando a cadeira de presidente. O presidente que não tem maioria no congresso, que é o caso de basicamente todos eles, vai precisar negociar com os parlamentares para tocar sua agenda”, afirma. O professor do Ibmec também afirma que o orçamento impositivo, modelo em que o Poder Executivo tem a obrigação legal de executar as despesas aprovadas pelo Poder Legislativo no orçamento anual, e as emendas parlamentares, que podem acrescentar, suprimir ou modificar determinados itens do projeto de lei orçamentária enviado pelo Executivo, fortaleceram setor centrista da política. “Essas emendas deram um poder muito grande para o congresso. Agora eles podem ter uma agenda própria, têm um poder de barganha maior e podem tocar seus próprios interesses sozinhos. Isso fez com que a formação de coligações com partidos mais ideológicos perdesse atratividade. Em um ambiente muito polarizado, se você se associa a um dos lados, caso o outro ‘time’ ganhe, você fica fora do governo por 4 anos. Se você se mantém neutro, por outro lado, há uma chance maior de fazer parte da estrutura política independente de quem sair vitorioso”, acrescenta Galvão. ‘Direita tecno-otimista’ e ‘esquerda ecológica’ Fora do centrão político, os partidos que se posicionam à direita ou à esquerda passaram a adotar subclassificações. Termos adicionais ao posicionamento clássico apareceram com frequência nas posições adotadas. Entre os três partidos à direita, apenas o NOVO se definiu somente como direita, enquanto o Missão adotou o termo “direita tecno-otimista” e o Partido Liberal (PL) preferiu “direita conservadora”. “Isso são slogans ideológicos”, afirma Rodrigo. “São estratégias discursivas, muitas vezes, os próprios atores políticos do partido não entendem o que isso quer dizer. Quando o PL se coloca como direita conservadora, ele busca reforçar uma coesão e relação com a sua base. Já o Missão, quando se apresenta como ‘tecno-otimista’ busca atrair um eleitorado que ainda não tem representação clara na política. Um nicho emergente, ligado a redes sociais, a tecnologia e um liberalismo econômico digital”, esclarece o especialista. Na esquerda as subclassificações também são frequentes. Das 8 legendas identificadas no campo, 5 indicam algum termo adicional que os diferem dos demais. “O caso do PV (Partido Verde), que se apresenta como ‘esquerda ecológica’, mostra essa tendência interessante: a criação de sub identidades dentro dos grandes campos ideológicos”, alega Galvão. Para Eduardo, ele não está apenas dizendo onde está na divisão esquerda-direita, mas sim tentando explicar qual é o seu diferencial dentro da própria esquerda. “Isso é importante porque existe um problema de diferenciação partidária. Se várias legendas disputam aproximadamente o mesmo campo ideológico, cada uma precisa encontrar um diferencial, uma razão para o eleitor distingui-la das demais. A ecologia pode funcionar como esse marcador para o PV”, comenta. Partidos podem aumentar no Brasil Outros 23 partidos políticos estão em formação, segundo informações do TSE. O número de legendas chama a atenção dos especialistas ouvidos pelo Valor. “O Brasil tem muitos partidos por duas razões principais. Primeiro, embora nós tenhamos ao menos 3 grandes posições norteadoras, direita, esquerda e centro, entre elas há uma série de variações dessas visões”, explica Prando Para o especialista, a segunda resposta diz respeito ao desenho institucional brasileiro. “O Brasil combina uma representação proporcional de lista aberta com estados que elegem bancadas grandes de parlamentares. Essa receita permite que muitos partidos se estruturem em torno dos cargos”, segue. Galvão diz que o sistema partidário acaba incentivando a formação de novos partidos para acessar recursos financeiros e políticos. “É normal, para um país com o tamanho do Brasil, que tenhamos muitos partidos, apesar de estamos bastante acima da média do mundo nesse aspecto. Mas as nossas regras também funcionam como incentivos para que os partidos se estruturem em busca de rendas. Com a representação, os partidos ganham verbas do fundo partidário, tempo de televisão, etc.” *Estagiários sob supervisão de Diogo Max

Perguntas frequentes

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O Brasil conta com 30 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Perguntados pelo Valor sobre seus posicionamentos no espectro ideológico, 8 das 30 legendas se declararam como centristas, 8 como esquerda, 4 como centro-direita,…
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Larissa Monteiro

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