CRIPTOMOEDAS

Criptomoedas são o 2º investimento mais procurado por brasileiros em agosto

As criptomoedas voltaram a ganhar força no radar dos investidores brasileiros em agosto e se tornaram o segundo investimento mais…

As criptomoedas voltaram a ganhar força no radar dos investidores brasileiros em agosto e se tornaram o segundo investimento mais buscado do mês, atrás apenas dos CDBs, segundo levantamento do buscador de investimentos Yubb repercutido pelo Valor Investe. O resultado mostra que, mesmo em um ambiente de juros altos, incerteza eleitoral e tensão no exterior, os ativos digitais voltaram a disputar espaço com produtos tradicionais de renda fixa.

A liderança continuou com os CDBs, que mantêm apelo em um cenário de renda fixa ainda atrativa. Mas a presença das criptomoedas na segunda posição indica uma retomada do interesse por ativos de risco, depois de meses em que o mercado cripto vinha sendo pressionado por quedas, juros elevados nos Estados Unidos e menor apetite global por tecnologia.

O movimento coincide com a forte recuperação do Bitcoin em agosto. A principal criptomoeda do mercado subiu quase 27% no mês passado, e ficou entre os investimentos mais rentáveis do período. O desempenho superou ouro, Nasdaq, Ibovespa e dólar, ajudando a recolocar cripto no radar do investidor pessoa física.

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Renda fixa ainda lidera, mas cripto volta a chamar atenção

A busca por CDBs mostra que o investidor brasileiro segue olhando para segurança e previsibilidade. Com juros ainda elevados no Brasil, produtos de renda fixa continuam oferecendo retorno nominal atrativo, especialmente para quem quer evitar volatilidade.

Mas a volta das criptomoedas ao topo das buscas sugere que parte dos investidores voltou a aceitar mais risco em busca de ganhos maiores. Esse interesse tende a acompanhar momentos de alta do Bitcoin, já que a valorização rápida do ativo costuma atrair atenção de quem estava fora do mercado.

A diferença é que o cenário de 2026 já não é o mesmo de ciclos anteriores. O mercado cripto ganhou mais canais de acesso, como ETFs, corretoras reguladas, bancos, aplicativos de investimento e produtos voltados ao público de varejo. Ao mesmo tempo, a regulação no Brasil avança, o que pode aumentar a confiança de parte dos investidores, embora também pressione corretoras menores e mude a dinâmica do setor.

Ainda assim, o interesse não significa necessariamente entrada direta de dinheiro. Ranking de buscas mede curiosidade e intenção de pesquisa, não volume aplicado. Mesmo assim, ele funciona como um termômetro importante do comportamento do investidor, especialmente em momentos de virada de mercado.

Bitcoin puxou a fila em agosto

O principal motor da retomada foi o Bitcoin. Após meses de desempenho fraco, o BTC teve em agosto sua melhor performance mensal de 2026 e recuperou parte das perdas acumuladas no ano. Mesmo após a alta, o Bitcoin ainda acumula queda de cerca de 10% em 2026 até o momento, o que mostra que o rali foi forte, mas ainda não apagou totalmente o ano difícil.

Esse contraste ajuda a explicar o aumento das buscas. Para parte dos investidores, a alta de agosto pode ter sinalizado uma oportunidade de retomada. Para outros, pode ter sido apenas um movimento de curiosidade depois de uma disparada rápida, sem necessariamente significar uma decisão imediata de compra.

O mercado também entrou em setembro com vetores opostos. De um lado, fluxos para ETFs, dólar mais fraco em parte do período e a tese de ativos escassos ajudaram o Bitcoin. De outro, a possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos, petróleo em alta e incertezas políticas seguem como riscos para ativos de maior volatilidade.

A pesquisa mostra, portanto, que o investidor brasileiro continua dividido entre proteção e oportunidade. O CDB segue como porto seguro mais buscado, mas as criptomoedas voltaram a ocupar uma posição de destaque quando o Bitcoin entregou retorno acima de todos os principais ativos do mês.

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Larissa Monteiro

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