NEGÓCIOS
B55: Crescimento de negócio depende das pessoas e empresário deve se focar nisso, contam fundadores
Depois que a empresa começa a crescer, a área mais importante não é a comercial ou financeira, mas a de…

Depois que a empresa começa a crescer, a área mais importante não é a comercial ou financeira, mas a de pessoas, afirmou Guilherme Benchimol, fundador da XP e um dos quatro criadores do Instituto B55, no painel de abertura do primeiro dia da B55 Conference, que acontece nesta terça e quarta-feira (29 e 30) em São Paulo, com mais de 3 mil inscritos. Com o tema “Construindo negócios que mudam o mercado”, Benchimol e os outros três fundadores do instituto, David Vélez, fundador do Nubank, André Street, fundador da Stone e Cristhiano Faé, CEO do B55, reforçaram a transformação pela qual o empreendedor precisa passar para que seu negócio não fique estagnado. É preciso deixar de ser a pessoa que faz tudo “na raça”, sozinha, e conseguir delegar para uma equipe confiável e competente, que tenha a cultura do negócio. Fazer isso, no entanto, exige dedicação e tempo, o que pode parecer difícil em meio a tantas demandas que o empresário encontra. “Mas falar que está muito ocupado nessa fase para criar cultura é como falar que está muito ocupado para educar seu filho, e que com 18 anos você vê”, comparou Vélez. Street contou que foi importante para a Stone ter um processo seletivo estruturado para contratação de pessoal. O programa da companhia, Recruta Stone, chegou a ter mais de 100 mil candidatos, conta, e é realizado duas vezes ao ano. O ritual de contratação passou a fazer parte da cultura da companhia. “Não tem nada mais caro do que contratar errado”, disse. Conseguir demitir na hora certa é tão importante quanto saber contratar, destacou Benchimol. Todos os empreendedores falam em meritocracia, disse, mas pouco conseguem aplicá-la no dia a dia e com velocidade, e não se deixar influenciar pela simpatia que sente pelo funcionário, se ele não se encaixar na cultura da companhia e não trouxer resultados. Criar um sistema de avaliação de pessoal que leve em conta tanto as metas de produtividade quanto o relacionamento do colaborador com os colegas e a cultura da empresa ajuda nessa hora. “Não se iludam em achar que uma pessoa competente, mas que não tem cultura, vai ser a solução. Não existe super-homem, existem super-equipes”, disse Benchimol. Com esse tipo de sistema implementado, os cortes são justificados pelo próprio sistema, e não por decisões pessoais, o que facilita o processo para o empreendedor. Fazer tudo isso exige uma transformação do empreendedor, que precisa, cada vez mais, ser um especialista em pessoas, e não no próprio negócio, como era no início. O fundador da XP também lembrou aos presentes que é possível fazer amizades e receber e dar ajuda dentro do meio empresarial, inclusive com concorrentes — citando Vélez e Street, também do meio financeiro — o que ajuda a alavancar o negócio. O instituto B55, organização sem fins lucrativos, foi criada em março pelos fundadores, com o propósito de promover encontros entre empreendedores que já estão em fase de execução dos seus negócios e que podem se beneficiar do contato com outros empresários e executivos que já possuem experiência no mercado nacional. “As grandes soluções para os problemas no Brasil, na América Latina, vêm do setor privado, precisamos mais do setor privado”, afirmou Vélez. Para Benchimol, a melhor forma de ajudar o país é auxiliar os empreendedores a terem sucesso em seus negócios. “Acreditamos no capitalismo, em ter cada vez mais empresas crescendo no país, é o que gera emprego, renda, traz inovação.” Rogerio Vieira/Valor
Perguntas frequentes
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