NEGÓCIOS
Auditor cita incerteza relevante sobre continuidade operacional da Casas Bahia e nega-se a dar opinião
A EY, firma contratada para a auditoria externa da Casas Bahia, negou-se a dar opinião sobre as demonstrações financeiras do…

A EY, firma contratada para a auditoria externa da Casas Bahia, negou-se a dar opinião sobre as demonstrações financeiras do segundo trimestre da varejista, citando uma incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia. A negativa de opinião é grave, porque mostra que os auditores não conseguiram ter acesso ou confirmar informações para realizar avaliação dos números. No caso da Casas Bahia, os auditores dizem em relatório que “não foi possível concluir sobre o uso da base contábil de continuidade operacional em 30 de junho de 2026, tampouco determinar eventuais efeitos ou ajustes nas informações financeiras intermediárias, individuais e consolidadas, nessa data”. A preparação dessas informações depende da conclusão e do êxito na execução dos planos e ações da companhia, considerados fatores essenciais para determinar sua continuidade operacional, ressalta a EY. Leia mais: Casas Bahia fala em piora de condições e avalia nova recuperação extrajudicial ou judicial Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bilhões no 2° trimestre Os auditores chamam a atenção para uma das notas explicativas que indicam que a Casas Bahia teve prejuízo de R$ 11,18 bilhões durante o primeiro semestre, com o passivo circulante excedendo o total do ativo circulante em R$ 11,97 bilhões e R$ 7,83 bilhões, individual e consolidado, respectivamente. O patrimônio liquido negativo ficou em R$ 8,27 bilhões no período. “Conforme divulgado pela administração, esses eventos ou condições, juntamente com outros assuntos descritos na referida nota explicativa, indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional”, diz a EY. A auditoria também deu ênfase à constituição de um comitê independente de investigação. Conforme nota explicativa citada no relatório, a administração da companhia adotou determinadas ações investigativas internas, por meio da constituição de um comitê independente de investigação, com o propósito de apurar e prestar esclarecimentos sobre notícias veiculadas na mídia relativas a uma investigação conduzida por autoridades públicas sobre supostas liberações indevidas de créditos de ICMS-ST no Estado de São Paulo. “As ações para a apuração de referida denúncia ainda se encontram em curso e, neste momento, não é possível prever os futuros desdobramentos decorrentes deste processo de investigação interna, nem seus eventuais efeitos nas informações financeiras intermediárias, individuais e consolidadas, caso haja”, afirmam os auditores. A varejista deveria ter publicado o balanço financeiro até a sexta-feira (14) na página da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas registrou os documentos às 02:24 deste domingo. O atraso na prestação de informação prevê pagamento de multa ordinária, conforme as regras da CVM. Tuane Fernandes/Bloomberg
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