ECONOMIA
A indústria tem ERP. A operação continua rodando em planilha
Poucas indústrias de médio e grande porte ainda operam sem ERP. É comum, porém, encontrar empresas com ERP instalado e…

Poucas indústrias de médio e grande porte ainda operam sem ERP. É comum, porém, encontrar empresas com ERP instalado e a operação sendo tocada fora dele. O apontamento sai em papel. O estoque tem uma planilha paralela. O comercial controla pedido em outro arquivo. O sistema recebe tudo depois, digitado por alguém. Para efeito prático, o resultado se aproxima do de não ter sistema. A diferença é que a empresa já pagou por ele. O diagnóstico é da Systh Tecnologia, consultoria independente especializada no ERP TOTVS® Protheus®, que atende indústrias de alimentos, química, plástico, manufatura e distribuição em todo o país. “Sistema implantado não é sistema em uso. A conta da diferença entre um e outro aparece em quatro lugares, e nenhum deles se chama TI”, afirma Thiago Andrade, CEO da Systh Tecnologia. 1. Erro manual e retrabalho Todo dado que é registrado duas vezes tem duas chances de sair errado. A primeira anotação acontece perto do evento. A segunda acontece longe dele, feita por quem não viu o que aconteceu. O efeito não é só o erro. É a desconfiança. Quando o relatório do sistema e a planilha da área discordam, a reunião começa com conferência em vez de decisão. Esse tempo não é exceção. Ele é diário, e está distribuído em várias áreas ao mesmo tempo. 2. Risco fiscal Tributo controlado fora do sistema depende de alguém lembrar da regra certa na hora certa. É aí que nasce o descumprimento de obrigação acessória, com multa e retificação depois. O momento agrava o risco. Desde 3 de agosto de 2026, documentos como NF-e, NFC-e e CT-e precisam trazer os campos de IBS e CBS preenchidos. Um ato técnico conjunto suspendeu as regras de validação que rejeitariam o documento sem esses campos, e a suspensão saiu sem data para voltar. Na prática, a nota passa. Isso não quer dizer que ela está correta. Quem apura fora do sistema não tem como saber a diferença. E o prazo que importa não mudou: em janeiro de 2027 a CBS entra em vigor, e o documento fiscal deixa de ser registro da operação para virar peça de apuração. Nesse ponto o erro deixa de ser retrabalho e vira passivo. 3. Falta de visibilidade Sem dado atualizado, a diretoria demora a enxergar o gargalo no estoque ou a queda na margem de um produto. O número existe. Ele só chega no fechamento, quando a decisão já foi tomada de outro jeito ou não foi tomada. O custo aqui não é o erro de cálculo. É o tempo de reação. Quanto maior o intervalo entre o evento e o dado, mais a gestão trabalha sobre uma empresa que já mudou. 4. Baixa produtividade Equipes gastam horas em tarefas que poderiam ser automáticas: digitar apontamento, conferir saldo, consolidar planilha, montar relatório na mão. Esse custo não aparece no orçamento de TI. Ele está diluído em salários de pessoas contratadas para fazer outra coisa. É também o custo que mais cresce em silêncio. Quando o volume aumenta, a empresa contrata mais gente para sustentar a mesma rotina manual. Por que o sistema existe e a operação não usa Em geral, por três motivos, e nenhum deles é o produto. A implantação parou no meio. O módulo financeiro entrou, o chão de fábrica ficou para depois, e o depois não chegou. O cadastro ficou mal formado. O sistema devolve número que ninguém confia, então a planilha volta a ser a fonte de verdade. A tela é errada para quem registra. Operador no meio do turno não navega em tela de gestão, e volta para o papel na primeira semana. Os três são problema de projeto, não de software. E os três se corrigem levando o sistema até onde o evento acontece. A Systh mantém produtos próprios com essa lógica. O Stinger é um MES e OEE integrado ao Protheus® para coleta e apontamento no chão de fábrica, que roda em celular, tablet, leitor, sensor ou computador. O S-Web é um portal web para o processo de vendas e para o fluxo de compras e aprovações, com alçadas e acesso para cliente e fornecedor. Nos dois casos o registro acontece na origem e chega ao ERP sem digitação intermediária. O passo seguinte é a automação dos fluxos operacionais que ainda dependem de pessoas para acontecer. A Systh desenvolve soluções que conectam atendimento, vendas e aprovações a canais como WhatsApp, com inteligência artificial interpretando a solicitação, consultando o ERP e devolvendo resposta ou executando a ação, sem que ninguém precise abrir o sistema. Um pedido de compra aprovado por mensagem. Uma consulta de prazo respondida automaticamente. Um alerta de estoque enviado para quem decide, no momento em que o dado muda. O processo continua dentro do Protheus®. A interação sai de dentro dele. O que fazer nas próximas semanas Quatro levantamentos internos dão o tamanho do problema antes de qualquer conversa com fornecedor. Escolha um processo e meça quanto tempo passa entre o evento acontecer e o dado aparecer no sistema. Liste as planilhas que hoje são fonte de verdade para alguma decisão, e aponte quem mantém cada uma. Levante quantos itens do cadastro estão sem classificação tributária revisada diante das novas regras. Defina o dono do projeto dentro da indústria, com tempo reservado na agenda e autoridade para decidir como o processo vai ficar. Nenhum dos quatro exige investimento. Os quatro exigem alguém responsável. “A pergunta não é se a empresa tem ERP. É quanto da operação passa por ele, e o que custa a parte que não passa”, completa Thiago Andrade.
Perguntas frequentes
Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.
- Sobre o que trata “A indústria tem ERP. A operação continua rodando em planilha”?
- Poucas indústrias de médio e grande porte ainda operam sem ERP. É comum, porém, encontrar empresas com ERP instalado e a operação sendo tocada fora dele. O apontamento sai em papel. O estoque tem uma planilha…
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